Nos últimos meses, uma tendência curiosa e perturbadora vem chamando atenção: adultos usando chupeta em público ou mesmo exibindo-as em redes sociais como se fossem acessórios de moda ou símbolos de estilo de vida. Essa prática, que à primeira vista pode parecer uma brincadeira inofensiva, levanta sérias questões sobre regressão psicológica, saúde mental e a cultura da infantilização.
O Fenômeno da Adultização ao Contrário
Vivemos em uma sociedade em que, paradoxalmente, crianças são pressionadas a agir como adultos antes da hora, enquanto alguns adultos buscam se refugiar em comportamentos tipicamente infantis. O uso da chupeta por adultos pode ser interpretado como uma forma de regressão emocional, ou seja, um retorno simbólico a uma fase de maior segurança e dependência.
Aspectos Psicológicos
- Regressão e busca por conforto: a chupeta remete à fase oral do desenvolvimento, trazendo sensação de aconchego e segurança. Em adultos, esse uso pode estar associado a estresse, ansiedade ou traumas não elaborados.
- Risco de infantilização crônica: quando o comportamento se torna frequente, pode indicar dificuldades em lidar com responsabilidades e pressões da vida adulta.
- Impacto na autoimagem: a adoção de símbolos infantis em público pode afetar a forma como a pessoa é percebida socialmente, gerando preconceito ou isolamento.
O Papel das Redes Sociais
A cultura digital tem potencializado modas extremas, muitas vezes incentivadas por influenciadores que buscam chamar atenção a qualquer custo. No caso da chupeta, esse movimento ganhou força principalmente no TikTok e no Instagram, onde pequenos vídeos viralizam em questão de horas e transformam comportamentos individuais em tendências coletivas. Adultos usando chupeta, nesse contexto, não se limita a uma escolha individual: torna-se espetáculo e normaliza práticas que podem mascarar problemas emocionais sérios.
Além disso, os algoritmos das plataformas favorecem conteúdos inusitados, excêntricos ou polêmicos, justamente porque geram mais engajamento. Assim, práticas que poderiam ser vistas como sinais de fragilidade emocional ou regressão são embaladas como “trend” e ganham status de moda. Essa dinâmica não só mascara problemas emocionais sérios, como também incentiva a reprodução em massa do comportamento, gerando um ciclo de imitação difícil de quebrar.
O que poderia ser uma prática isolada, restrita ao ambiente privado, passa a ser exibida publicamente como forma de entretenimento ou até como suposto “lifestyle alternativo”. Ao alcançar milhões de visualizações, adultos usando chupeta, deixa de ser apenas uma escolha pessoal e se transforma em espetáculo. Isso cria um efeito perigoso de normalização, em que seguidores – muitos deles jovens em formação – passam a enxergar o ato como algo aceitável, divertido ou até aspiracional.
Consequências Sociais e de Saúde
- Estigma e ridicularização: o comportamento, ao ser exposto publicamente, pode levar a situações de constrangimento.
- Prejuízos orais: além da questão simbólica, o uso da chupeta em adultos pode gerar problemas dentários e de fala.
- Impacto nas relações: familiares, colegas e parceiros podem interpretar a prática como um sinal de imaturidade ou instabilidade.
Reflexão Final
Mais do que uma moda excêntrica, o uso da chupeta em adultos aponta para um fenômeno social maior: a busca de refúgio em símbolos infantis diante de um mundo cada vez mais exigente e hostil. É importante questionar até que ponto essas práticas são apenas tendências passageiras ou sintomas de uma sociedade fragilizada emocionalmente.
E você, o que pensa sobre essa moda de adultos usando chupeta? Acredita que é apenas uma brincadeira inofensiva ou um sinal de algo mais profundo em nossa sociedade? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe este artigo com seus amigos para ampliar o debate!
FAQ’s – Adultos Usando Chupeta
Por que adultos estão usando chupeta?
Muitos recorrem à chupeta como símbolo de conforto ou como parte de uma tendência em redes sociais.
Esse comportamento é saudável?
Não. Pode ser sinal de regressão emocional, além de prejudicar a saúde bucal.
O uso de chupeta em adultos tem relação com ansiedade?
Sim. Em alguns casos, é um recurso para lidar com ansiedade e estresse, embora não seja recomendado.
Essa moda é passageira?
Possivelmente sim, mas revela aspectos preocupantes da cultura da infantilização.
Referências Bibliográficas
- Freud, S. (1996). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Rio de Janeiro: Imago. (Discussão sobre a fase oral e comportamentos regressivos).
- Erikson, E. H. (1998). Infância e sociedade. Rio de Janeiro: Zahar. (Importância das fases do desenvolvimento psíquico e o impacto da regressão na vida adulta).
- Winnicott, D. W. (1982). O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago. (Explica a função de objetos transicionais, como chupetas, no desenvolvimento infantil).
- Bauman, Z. (2001). Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar. (Reflexões sobre imaturidade emocional e a busca por segurança em tempos de instabilidade).
- Turkle, S. (2017). Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other. New York: Basic Books. (Impacto das redes sociais na construção da identidade e comportamentos de fuga).
- Twenge, J. M. (2017). iGen: Why Today’s Super-Connected Kids Are Growing Up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy—and Completely Unprepared for Adulthood. New York: Atria Books. (Como a hiperexposição digital molda comportamentos e reforça tendências regressivas).
- Kuss, D. J., & Griffiths, M. D. (2017). Social Networking Sites and Addiction: Ten Lessons Learned. International Journal of Environmental Research and Public Health, 14(3), 311. (Sobre a influência viciante das redes sociais em modas e comportamentos).
- BBC News Brasil. (2023). Tendências estranhas nas redes sociais: por que comportamentos infantis têm viralizado entre adultos? Disponível em: bbc.com/brasil
- Psicologia Viva. (2022). Regressão psicológica: o que é, causas e como lidar. Disponível em: psicologiaviva.com.br

Maura Pastick é pedagoga e psicóloga (CRP 02/14467) clínica, com ampla experiência em educação infantil, orientação de pais e treinamento parental. Atua como palestrante em escolas e universidades, abordando temas relacionados à infância, adolescência e saúde mental. É especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental para crianças e adolescentes, com formação em Terapia do Esquema e Psicologia Positiva.
Além de atender no Grupo AMAR (Recife-PE), Maura é certificada pela plataforma Positive Experience Games e participou de cursos focados em intervenções para TEA, TDAH, TOD, ansiedade, e temas como luto, suicídio e abuso sexual. É também coautora de livros e ferramentas terapêuticas, como os livros “Intervenções Online e Terapias Cognitivo-Comportamentais” (Artmed) e “Psicologia: Como eu faço?” (Conquista).
Com uma sólida trajetória acadêmica e prática, Maura compartilha sua paixão por apoiar o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes, além de fortalecer a relação entre famílias e instituições educacionais.



